Nossas bases

Só é possível ter boas colheitas e frutos com raízes saudáveis.

Fundada em 2011 e formalizada como cooperativa de trabalho em 2014, a EITA atua em diálogo com organizações e movimentos sociais que lutam pela reforma agrária, soberania alimentar, agroecologia, saúde e justiça social. Nossa missão é fortalecer as lutas de movimentos sociais do campo popular, buscando contribuir com a construção de uma sociedade ambientalmente equilibrada, socialmente justa, economicamente democrática e com respeito à autodeterminação das comunidades nos territórios em que atuam.

Economia Solidária, Software Livre e Educação Popular são as bases do nosso trabalho. Esses princípios fundamentam as nossas práticas e as metodologias participativas que utilizamos para adaptar, aprimorar e desenvolver ferramentas digitais:

Economia solidária

Trabalhar junto de iniciativas solidárias, organizadas e geridas por trabalhadoras e trabalhadores, de forma coletiva e democrática

A Economia Solidária é um jeito de fazer a atividade econômica onde haja igualdade entre participantes e posse coletiva dos meios de produção. Isto quer dizer: as pessoas se organizarem coletivamente e sem patrão para produzir, comercializar, se abastecer e oferecer serviços. As iniciativas de economia solidária podem ser cooperativas, associações, empresas autogestionárias ou grupos informais, sendo empreendimentos geridos pelas/os próprias/os de forma coletiva e democrática. Esta outra economia existe há muito tempo, foi e é a forma de organização de comunidades indígenas e quilombolas. A economia solidária também pode ser entendida como um jeito de estar no mundo, por exemplo de consumir priorizando a produção local, saudável, que não agride o meio ambiente e de iniciativas não capitalistas. No Brasil, a economia solidária envolve atores e atrizes que têm se articulado e organizado em espaços regionais de atuação desde a década de 1990. Então, a economia solidária também pode ser definida como um movimento social que busca construir uma sociedade que não se baseie na concentração de renda, terra ou poder, mas ao contrário, que beneficie a população com seus valores e práticas de solidariedade, cooperação, democracia, preservação ambiental e defesa dos direitos humanos. 

Educação popular

Dialogar e o reconhecer os diversos saberes envolvidos na construção do conhecimento, permitindo o desenvolvimento contextualizado e participativo

A pedagogia da Educação Popular para a alfabetização de adultas/os, desenvolvida por Freire, inspirou diversas/os educadoras/es no mundo inteiro que acreditam na educação como forma de libertação do povo pobre oprimido. Para Freire, “Não basta saber ler mecanicamente ‘Eva viu a uva’. É necessário compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir uvas e quem lucra com esse trabalho.”. Além disso, a uva é típica da região sul do Brasil, distante do contexto nordestino dos primeiros grupos de educandas/os de Freire. A frase era portanto completamente descontextualizada, e não incentivava no aluno nada além da memorização. O diálogo e o reconhecimento dos diversos saberes são elementos fundamentais da Educação Popular. A aprendizagem contextualizada, a produção de conhecimentos a partir da sistematização de experiências e a pesquisa participante, são expressões da Educação Popular.

A EITA se inspira neste fazer e ser educador/a e educando/a na relação entre cooperadas/os e com as organizações que trabalha.

Software livre

Desenhar e desenvolver softwares a partir do uso de ferramentas livres, criadas em comunidade e devolvidas para a comunidade

A grande maioria dos problemas tecnológicos é compartilhado por muitas pessoas. Desta forma, ao utilizar, estudar, adaptar e aprimorar softwares livres, devolvendo as contribuições para a comunidade de desenvolvedoras/es, é uma forma de construir um conhecimento coletivo partilhado. Somos contra todas as formas de propriedade intelectual privada e apoiamos as práticas que fomentam a descentralização da internet e dos meios digitais. O uso de softwares proprietários implica a dependência de ferramentas cujas funcionalidades ou termos de uso e privacidade podem alterar, a qualquer momento, de acordo com os interesses de empresas detentoras dessas tecnologias. Além de implicar no pagamento de royalties para empresas, normalmente estrangeiras. O uso de padrões fechados, que não podem ser adaptados, também dificulta a integração com outros sistemas. Trabalhar e desenvolver softwares a partir do uso de ferramentas livres, criadas em comunidade e devolvidas para a comunidade, carrega princípios da autogestão e da economia solidária. É por esse motivo que utilizamos e desenvolvemos sistemas em código aberto, compartilhando soluções técnicas que podem ser compartilhadas com outras pessoas.

Desenvolvimento participativo

Trabalhar junto de iniciativas solidárias, organizadas e geridas por trabalhadoras e trabalhadores, de forma coletiva e democrática

O desenvolvimento participativo parte do princípio de que o envolvimento das pessoas é motivado pela busca por mudanças sociais, políticas e culturais que devem ser revertidas em favor delas próprias. Isso exige que processos contínuos de capacitação e educação sejam realizados, em diferentes direções, incluindo todas as pessoas envolvidas. Nossas metodologias de desenvolvimento buscam garantir o envolvimento das pessoas inseridas no contexto do projeto nas atividades de planejamento, definição e ideação dos novos conhecimentos e paradigmas que a criação de um novo sistema irá representar. Para isso, possibilitamos que todas as pessoas, associadas e clientes, participem do processo de elaboração e tomadas de decisão nos trabalhos, indo desde a definição das agendas e cronogramas de projeto, ao acompanhamento de recursos financeiros disponíveis. Entendemos que, dessa forma, as pessoas envolvidas terão maior facilidade para se apropriarem da ferramenta e das possibilidades criadas, bem como para compreender as dificuldade inerentes do desenvolvimento de um sistema. Outro desdobramento importante dos processos de desenvolvimento participativo é o crescimento da confiança mútua entre as pessoas que integram o grupo, uma vez que todas se beneficiam dos processos de transformação construídos coletivamente.